Bets lotam STF; Janja e Paula Lavigne ocupam primeira fila e pressionam por proibição
Primeira-dama entregou relatório a Fux sobre mulheres afetadas por jogos de azar, enquanto clubes de futebol e empresas contestam o fim das apostas on-line
BRASÍLIA – A disputa sobre o futuro das bets lotou o plenário da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã desta terça-feira (3/11). Na primeira fila, sem direito à fala, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e a produtora cultural Paula Lavigne levaram ao debate uma preocupação pouco visível nos contratos de patrocínio: os prejuízos das apostas para mulheres e famílias.
Janja entregou ao relator de oito ações que questionam o fim das bets no Brasil, ministro Luiz Fux, a pesquisa “Mulheres & Bets”, divulgada em agosto pelo Instituto CLARICE.
O estudo ouviu mais de 2 mil brasileiras e realizou 60 entrevistas aprofundadas com mulheres, sobretudo no Sudeste e Nordeste.
Os resultados foram apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Janja e a ministros em 1º de setembro, antes da medida provisória que proibiu as bets, editada no dia 25.
Ao lado de Janja, Mariana Ribeiro, cofundadora do instituto, disse à reportagem que o problema não se limita a quem aposta. Mulheres também suportam dívidas, conflitos e sofrimento emocional provocados pelo jogo de familiares.
“Elas são afetadas quando elas jogam […] mas também quando elas não jogam”, explicou. Segundo ela, a pesquisa mostra um cenário mais grave do que o discutido pelo STF em 2024 e justifica uma nova escuta da sociedade civil.
Uma das preocupações do governo com a ludopatia, além do endividamento do apostador, são os índices alarmantes de aumento de violência doméstica, adoecimentos e suicídios