A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Simone Maria Rodrigues, de Araxá, e Rosa Elielda Soares dos Santos, de Nova Ponte, a 14 anos de prisão pela organização de uma caravana que levou manifestantes aos atos antidemocráticos ocorridos na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023. As informações são do portal O Fator.
Segundo o Ministério Público Federal, que teve acesso a dados bancários e telemáticos das rés durante a investigação, as duas articularam a parte logística e financeira da viagem em um ônibus que saiu do Triângulo Mineiro transportando 42 passageiros. Quatro deles foram detidos em flagrante dentro dos prédios públicos que foram depredados no Distrito Federal.
A viagem começou em 6 de janeiro, com saída de Araxá e paradas em Uberlândia e Catalão (GO) antes de seguir para Brasília. O aluguel do ônibus custou cerca de R$ 6,5 mil, valor pago pelas investigadas. O retorno estava previsto para o domingo, dia 8, às 18h.
Embora tenham planejado a caravana juntas, as duas seguiram caminhos diferentes até Brasília. Simone embarcou no próprio ônibus contratado, enquanto Elielda viajou em outro veículo que saiu de Nova Ponte. Ambas confirmaram ter permanecido no acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército nos dias 7 e 8.
Durante o processo, mensagens extraídas dos celulares mostraram que Simone tentou se afastar da liderança do grupo ao perceber o agravamento dos confrontos em Brasília. Mesmo assim, a Polícia Federal identificou que ela continuou organizando pontos de encontro e orientando o retorno da comitiva ao Triângulo Mineiro.
O voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, também destacou que a atuação de Elielda se prolongou após o dia 8. Em fevereiro, ela divulgou uma lista com nomes de pessoas presas. Meses depois, em abril, compartilhou áudios orientando sobre procedimentos processuais e sugerindo o acobertamento de uma pessoa alvo de mandado de prisão.
As duas foram condenadas pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. Houve divergência no julgamento, mas a maioria seguiu o relator.
Além da pena em regime inicial fechado, Simone e Elielda deverão pagar, de forma solidária com outros envolvidos, uma indenização de R$ 30 milhões pelos danos causados à Praça dos Três Poderes.
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